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A ESTÉTICA DA MORTE (B)
No final da II Guerra Mundial, a morte é dissimulada , personificando apenas a realidade distante e impessoal.
Os rituais que envolviam a morte foram progressivamente simplificados, estando hoje centrados apenas num velório frio e num “auto” fúnebre envolvido em celebridade mórbida pelo mundo dos vivos, esteticamente duvidoso, entre a câmara ardente e o cemitério.
A dor da morte torna-se individual, e as verdadeiras lágrimas são choradas a sós.
A consciência da morte como inevitável e indomável leva o Homem a diminui-lhe a carga domável leva o Homem a diminuir-lhe a carga trágica, tornando-a simples, diliundo-a na vida que continua, tornando-a um tabu.
Metchnikoff afirma: “a nossa inteligência, que se tornou tão ousada e activa, mal se tem dedicado à morte.” O homem não estuda a morte porque simplesmente a ignora ou tenta olhá-la de frente, ficando estaticamente hipnotizado. Segundo Edgar Morin, “os anos 60 fizeram ressurgir vários mitos: o penúltimo foi o sexo, o último a morte”.
O regresso da morte é um grande acontecimento civilizacional, e o problema de conviver com a morte vai pertencendo cada vez mais profundamente ao nosso viver. O caminho da morte deve levar-nos mais a fundo na vida, como o caminho da vida nos leva, inevitavelmente, à morte.
Mara Carvalho in DES1BIGA da AEFML, 2002
# Colocado por PensarSardoal @ 18:49
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