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PRÁTICAS COLECTIVAS DOS JOVENS [2]
No seguimento dos conceitos apresentados, tentarei introduzir algumas práticas comuns aos jovens sardoalenses e que observam determinados padrões de acordo com o meu modo interpretativo e descodificador dos mesmos.
ADOLESCÊNCIA- “fase que se caracteriza pela busca de concordância e segurança habitual” Bohnsack (1995 e 2000)
Uma das práticas, a constituição de grupos de amigos cuja pertença está maioritáriamente enraizada em hábitos prejudiciais passou a ser para esses jovens um potencial criativo de alternativas, que possibilitou a confrontação de uma fase altamente complexa, marcada por rupturas biográficas violentas e por inseguranças vividas no contexto socio-espacial.
Ao mesmo tempo, a preferência deste estilo de convivência pela maioria dos jovens da comunidade (ex.“a maioria do pessoal que curte dar umas passas”) gerou um processo de identificação expressiva (Goffmann 1996:318) com a cultura boémia, que passou a ser vista como única forma de integração entre os jovens da mesma geração.
Não aderir às “passitas” ou aos “copos” significaria estar desintegrado e excluído do grupo geracional e das actividades no próprio bairro.
Sendo assim, esses hábitos passam a ser vistos como aquilo que para estes constitui uma revolução cultural, levada a cabo por jovens que pertencem não somente à mesma geração, mas que compartem também um mesmo extracto de experiências
A “práxis” musical e sociocultural passa a ser também para os grupos desse tipo uma forma de sociabilidade, de constituição de relações geracionais e de solidariedade, de descoberta das capacidades e habilidades individuais e de geração de processos criativos.
Os grupos de rock ou novo rock como Limb Bizkit, Eminem, (descendentes de géneros como rap, hip-hop) dirige-se em
primeiro lugar à geração jovem que vive em situações sociais e histórico-biográficas semelhantes. Através da música, da reciprocidade e da interacção com outros ouvintes, o grupo procura superar a perda de vínculos e de pessoas significantes e as “decepções” vividas no quotidiano e nas relações familiares.
A utilização do inglês (estrangeirismos e expressões como DAH!)como idioma de referência também pode ser interpretada como uma busca por princípios universais de reconhecimento e como uma tentativa de ampliar o leque das relações para um grupo que não se restringe somente às fronteiras geográficas e/ou étnicas.
TO BE CONTINUED!
Bruno Costa
# Colocado por PensarSardoal @ 23:41
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