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ASSOCIATIVISMO JUVENIL E CIDADANIA POLÍTICA
Estudos recentes sobre o exercício dos direitos de cidadania em Portugal têm verificado a existência de uma baixa propensão da população para a acção colectiva, seja ela organizada ou suportada por mecanismos de automobilização. Esta situação causa preocupação, pois sugere a existência de uma condição passiva perante o Estado (visto como o garante dos direitos de cidadania) e de algum desinteresse ou apatia perante o devir colectivo. Dir-se-á que a reduzida participação política dos jovens não é um atributo exclusivo do país mas, pelo contrário, comum a muitas outras, senão mesmo à maioria, das democracias existentes no mundo.
Traço característico de Portugal é verificar que a fraca propensão para a participação colectiva não se restringe à acção política, estendendo-se por todo o espectro da acção social, desde o voluntariado cívico e humanitário até à acção organizada com objectivos determinados nas esferas económica e política. Do ponto de vista do exercício dos direitos de cidadania, a fraca iniciativa participativa sugere que o nosso país se encontra numa situação de relativo subdesenvolvimento e que está longe de esgotado o processo emancipatório da modernidade em Portugal.
Quer pela sua situação objectiva na sociedade, quer por disposições culturais e subjectivas, a disponibilidade dos jovens perante a mudança e as grandes causas sociais é reconhecidamente mais forte do que nos outros grupos etários. Constitui, consequentemente, um aposta mais segura prever que as atitudes dos portugueses face ao exercício de cidadania comece a dar sinais de mudança a partir dos grupos jovens. Tanto mais quando a acção pública orientada para os jovens pode precipitar essa mudança, acelerando certos processos e contribuindo para a afirmação de novas formas de consciência e de acção.
Cidadania política:este conceito remete para o usufruto dos direitos políticos, designadamente a liberdade de expressão e de associação, que, ao contrário do que ocorre com os direitos cívicos e sociais, não pode ser automaticamente auferido, mas antes supõe uma participação activa sem a qual não pode ser plenamente consumado.
Convém ainda deixar claro que o exercício desses direitos não se restringe à esfera política. Com efeito, as formas pró-activas de participação podem ser encaradas em três planos que não deixarão de merecer tratamento analítico ao longo do projecto. Esses planos são os seguintes:
· A participação associada — refere-se a todo o tipo de actividade juvenil organizada em qualquer campo da actividade social. Abrange desde as formas de associativismo recreativo até as actividades partidárias, quer as associações tenham carácter duradouro ou efémero.
· A automobilização cívica e política — diz respeito à participação em acções de natureza colectiva. Inclui formas muito variadas de acção que podem ir da mobilização de rua em causas como a de Timor até manifestações de carácter social ou político, como realizar uma greve. Uma forma de automobilização política que merecerá um cuidado especial refere-se à participação eleitoral. Pensa-se que constituirá o meio privilegiado para explorar a relação de comunicação que deverá existir entre os jovens e o sistema político-partidário.
· A mobilização cognitiva — constitui, sem dúvida, um elemento central para se compreender as disposições dos jovens para a acção colectiva e as razões para o não exercício dos direitos políticos. Questões centrais a explorar são, por exemplo, a importância da política no mundo de hoje e do seu papel na vida dos jovens e do país, as configurações avaliativas em torno do sistema político ou as representações sobre o papel da acção política no quadro dos desafios da integração europeia e da globalização. Intimamente relacionada com a mobilização cognitiva, a socialização política assumir-se-á como uma área privilegiada de inquirição. Esta área surgirá organizada em torno de aspectos como a exposição aos media informativos e outros, maxime juvenis, ou as condicionantes da socialização político-partidária.
Constitui esta forma um alerta para uma lacuna existente também no Sardoal, e que sinto na pele sempre que pretendo efectuar alguma alteração ou acontecimento de relevo para o Sardoal.
Bruno Costa
# Colocado por PensarSardoal @ 21:25
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